Uma pergunta sem resposta.
Schumacher e Senna, os maiores mitos da F1.
Várias perguntas na humanidade esbarram nas faltas de respostas, como por exemplo, o que tem no buraco negro na galáxia? qual é a origem do universo? o que veio primeiro ao mundo, o ovo ou a galinha?. No meio automobilistico, uma pergunta sempre vaza na imprensa mundial, quem foi melhor? Ayrton Senna ou Michael Schumacher?.
Já se completaram 17 anos da morte do tricampeão mundial Ayrton Senna, e infelizmente ele morreu no meio de uma batalha contra o outro da pergunta - Michael Schumacher. Mas por que a insistência nesta pergunta?
Uma das coisas que eu percebi é que o fruto principal desta pergunta recai na curiosidade de saber o que teria ocorrido com o Michael Schumacher caso Ayrton Senna tivesse sobrevivido ao acidente sofrido em San Marino. Poderia ele ter batido todos os recordes da F1 com Ayrton Senna na ativa? Teria Ayrton conseguido virar o jogo em 1994?. Essas perguntas consequentes fazem parte da ilusão do que teria sido esta inesquecível batalha que os deuses do automobilismo trataram de apagar no dia 1º de maio de 1994.
Senna e Schumacher dividiram as pistas de 1991 até 1994.
Se analisarmos os numeros com frieza, Michael Schumacher é amplamente superior ao brasileiro. Seria justa a comparação baseada apenas nos números? Eu acredito que não porque as tecnologias eram diferentes, os carros e adversários de niveis diferentes e são épocas diferentes. Michael completou neste fim de semana 20 anos de Fórmula 1, nestas duas décadas ele conseguiu 7 títulos mundiais, 91 vitórias e 68 poles. O alemão conseguiu em 20 anos, 35% de aproveitamento em títulos. Ayrton Senna teve uma carreira relativamente curta na F1 em comparação com outras lendas da F1, teve em uma década um aproveitamento de 30% em títulos. Se verificarmos apenas os títulos, o aproveitamento de ambos é parecido apesar da discrepância nos números, 7 a 3.
Michael Schumacher Onboard, Adelaide 1993
Ayrton Senna Onboard, Adelaide 1993
Quanto a típica pilotagem no auge de suas carreiras, Ayrton Senna e Michael Schumacher foram sublimes. Velozes, agressivos e arrojados, não perdiam a chance de uma disputa roda-a-roda ao limite. Quem acompanhou a carreira dos dois (eu acompanhei do Senna de 1990 até 1994 e acompanhei a carreira completa do alemão), percebe que Ayrton tinha um estilo mais arrojado e agressivo que o alemão. Michael tinha uma qualidade que o brasileiro estava começando a ter no fim de sua vida, a ótima leitura de corrida. Senna era mais espetacular e conseguia poles e vitórias dignas de um herói de Hollywood, no caso do alemão, conseguia extrair o máximo de seu equipamento em poucas voltas e soube ao máximo usar as estratégias ao seu favor, qualidades distintas das duas lendas do automobilismo.
GP da Europa, 1993. O Maior Show protagonizado por Ayrton Senna.
Mestria
GP da Bélgica 1995, Show de Schumacher
Genialidade
Quanto aos adversários, Ayrton Senna teve uma concorrência infinitamente melhor que as do alemão. Ayrton correu contra Alain Prost, tetracampeão mundial, Nigel Mansell, campeão em 1992 e Nelson Piquet, tricampeão mundial. Michael Schumacher, nos seus melhores momentos, teve como adversários Mika Hakkinen (bicampeão), Damon Hill (campeão em 1996), Jacques Villeneuve (campeão em 1997), David Coulthard, Juan Pablo Montoya e Rubens Barrichello. Mas esta questão é muito particular porque o alemao não teve culpa de ter tido adversários de qualidade inferior, e muitos dizem que, Michael Schumacher era tão superior, que fez seus adversários parecem inutéis perante sua genialidade, ponto a favor de Schumacher ou Senna?
Em um quesito bastante importante no mundo da F1, acredito que Michael Schumacher foi amplamente superior ao brasileiro, paciência e trabalho em equipe. Esta qualidade foram cruciais para o sucesso do alemão, sua estadia na Benetton e na Ferrari comprovam essa tese. Na Benetton, ele conseguiu montar uma equipe ao seu redor, uniu todos e conseguiu transformar uma equipe mediana em uma equipe de ponta, como consequência conseguiu um bicampeonato mundial, em 1994 e 1995 e a equipe ítalo-britânica conseguiu seu único título de construtores em 1995. Na Ferrari, um exemplo mágico deste quesito que poucos dão valor, o alemão chegou à equipe em 1996 e encontrou uma equipe completamente bagunçada. Aos poucos ele foi montando seu "staff". Conseguiu a dispensa do então diretor-técnico John Barnard e ajudou a trazer Rory Byrne e Ross Brawn com quem havia trabalhado na Benetton. Uniu a equipe em torno de si e sofreu quatro anos com decepções e transformações.
Em um quesito bastante importante no mundo da F1, acredito que Michael Schumacher foi amplamente superior ao brasileiro, paciência e trabalho em equipe. Esta qualidade foram cruciais para o sucesso do alemão, sua estadia na Benetton e na Ferrari comprovam essa tese. Na Benetton, ele conseguiu montar uma equipe ao seu redor, uniu todos e conseguiu transformar uma equipe mediana em uma equipe de ponta, como consequência conseguiu um bicampeonato mundial, em 1994 e 1995 e a equipe ítalo-britânica conseguiu seu único título de construtores em 1995. Na Ferrari, um exemplo mágico deste quesito que poucos dão valor, o alemão chegou à equipe em 1996 e encontrou uma equipe completamente bagunçada. Aos poucos ele foi montando seu "staff". Conseguiu a dispensa do então diretor-técnico John Barnard e ajudou a trazer Rory Byrne e Ross Brawn com quem havia trabalhado na Benetton. Uniu a equipe em torno de si e sofreu quatro anos com decepções e transformações.
Schumacher e sua familia, méritos do alemão
O resultado da paciência e do trabalho em grupo começou a gerar os frutos à partir de 2000. Com uma equipe unida e com um corpo técnico altamente entrosado, Michael Schumacher conseguiu faturar cinco títulos mundiais consecutivos, fato inédito na história da F1 até então. Ayrton Senna era completamente diferente até por conta de sua personalidade. Era um trabalhador árduo e considerado um "computador" por seus engenheiros, mas Senna era impaciente e quando o carro não nascia da maneira que gostava, não media palavras para critica-lo, tanto o carro quanto a equipe, algo que Schumacher jamais fez nos seus 20 anos de carreira na F1.
Ayrton Senna, ambição pelo melhor carro
Na Lotus, Ayrton Senna cansou de criticar os motores turbo da Renault e os projetos de Gerard Ducarouge. Tanto que em 1987, a Lotus conseguiu os motores Honda graças aos pedidos do brasileiro. Não deu muito certo porque em 1988 Senna migrou para a McLaren.
Na equipe de Ron Dennis, encontrou uma equipe acertada com um carro de alto nível. Tratou apenas de pilotar e "destruir" seu companheiro de equipe - Alain Prost. Graças ao seu comprometimento, ganhou a confiança dos técnicos japoneses da Honda e do chefão Ron Dennis. Resultado desta combinação foi o tricampeonato e o "status" de melhor do mundo. Em 1992, a equipe McLaren encarou uma decadência forte frente ao novo poderio da Williams. Ayrton Senna então começou a criticar a equipe e os motores japoneses. Certa vez chegou a dizer que correria de graça na Williams, dando clara indicação de sua insatisfação com a McLaren e demonstrando ambição de sentar no melhor carro do grid.
Visualizando todas essas questões, é muito dificil chegar a uma conclusão exata, a emotividade envolvida em torno do brasileiro e a frieza envolvida em torno do mito alemão, fazem desta comparação injustiça com Michael Schumacher. No Brasil, é quase impossível um brasileiro apaixonado por F1 afirmar que Michael foi o melhor, algo semelhante ao que ocorre na Argentina quando o assunto é comparar Maradona com Pelé.
Particularmente prefiro ressaltar as qualidades e fraquezas dos dois e colocar na balança. E sempre termino pensando o seguinte: Michael Schumacher foi o maior de todos os tempos e Ayrton Senna foi o melhor de todos os tempos. Isso porque nem mencionamos Juan Manuel Fangio...
Vamos curtir um pouco de Senna VS. Schumacher >>>
GP da Inglaterra, 1993
Batida entre Schumacher e Senna, GP da França 1993
GP da Africa do Sul, 1993
Schumacher chora após igualar o nº de vitórias de Senna
Matéria do Esporte Espetacular, Globo sobre o assunto


















