domingo, 6 de maio de 2012

Os Donos da Coroa

Ayrton Senna, Michael Schumacher e Graham Hill são os pilotos que acumulam o maior número de vitórias no tradicional Grande Prêmio disputado em Mônaco.

Desde 1950, o domínio que a família Grimaldi começou a exercer nas montanhas dos Alpes Marítimos e a Costa Azul é regularmente ameaçado por uma horda de guerreiros planetários. Essa ameaça é bem mais recente que a conquista do principado e foi perpetrada mais fortemente por Ayrton Senna, Graham Hill e Michael Schumacher; os três venceram tantas batalhas no local que se habituaram a rebaixar a familia real de Mônaco nas manchetes, tal a forma e a quantidade de vezes que inscreveram seus nomes na história do Grande Prêmio mais lento do calendário da Fórmula 1. Por isso, seus nomes já foram citados como soberanos do Estado, onde dinheiro e liberdade são valores desde há muito praticados, às vezes por caminhos tão tortuosos quanto o circuito local.
 
 O atual "Mr. Mônaco", 6 vitórias no principado.
 
Corria o ano de 1297 quando o genovês François Grimaldi resolveu tomar o lugar à força, em nome do Papa Bonifácio VIII. Disfarçado de monge, ele invadiu a fortaleza de Mônaco e, desde aquele dia 8 de janeiro, sua familia praticamente domina a área. Quem conseguiu interromper essa dinastia foi Napoleão, que anexou o território à França por um bom tempo. Verdade que breves períodos os Grimaldi perderam o controle sobre o principado, como entre 1317 e 1335. Mais tarde, Napoleão anexou o principado ao território francês, possessão que acabou quando ele abdicou ao poder. Em 1814, os Grimaldi e a França assinaram o tratado de Paris de 1814 e, em troca de uma porção de dinheiro, o principado de Mônaco tornou-se independente.
 
  Michael Schumacher, 5 vitórias no principado.

Muitos séculos depois, os ingleses tentaram dominar o que restou deste território. Stirling Moss, por exemplo, venceu os GP's de 1956, 1960 e 1961, mas continuou sempre o que seus conterrâneos chamam de campeão sem título. Um remador de origem plebéia tomou para si a bandeira de impor-se naquele porto e saiu-se melhor: Graham Hill venceu o GP por cinco vezes, em 1963, 1964, 1965, 1968 e 1969, além de conquistar dois títulos mundiais (1962 e 1968). Por causa desses feitos, o pai de Damon Hill (campeão mundial em 1996) foi por muitos chamado de "Mr. Mônaco".
 
 Graham Hill, o primeiro "Mr. Mônaco", cinco vitórias nos anos 60

A realeza e os plebeus sempre se deram relativamente bem neste país que é menor que, por exemplo, a cidade do Guarujá, balneário paulista situado junto à baía de Santos. Curiosamente, foi um brasileiro quem perpetrou o maior ataque contemporâneo aos Grimaldi. Verdade que, antes de impor sua majestosa perícia no principado, Ayrton Senna cometeu um erro crasso ao bater no principado quando liderava com enorme vantagem o GP de 1988, presenteando Alain Prost com a quarta vitória do francês no local - as outras foram em 1984, 1985 e 1986. 
 
Tal qual o brasileiro, o francês também bateu quando liderava com autoridade, em 1982.... Pior que isso só o vexame de vencer em 1984, debaixo de chuva, depois de ser ultrapassado por Senna e, no final do ano, perder o campeonato por meio ponto... Mas isso é outra história.
 
 Senna celebrando em frente aos Grimaldi, soberania brasileira em Monte Carlo.

Até hoje, ninguém impôs sua marca em Mônaco como Ayrton, dentro e fora do cockpit. No GP de 1990, o caminho entre o pódio e a sala de imprensa era longo e complicado e, por isso, o vencedor foi levado de van de um ponto ao outro. Cansado e ansioso, Ayrton comprovou, de mau humor, a fama de arrogantes e irredutíveis que caracteriza os policiais locais: esbravejando porque não deixavam a van passar por uma área que ainda estava interditada, não houve como convencer as autoridades que havia centenas de jornalistas do mundo inteiro esperando pelo vencedor do GP recém-terminado. Essa foi a terceira das seis conquistas do brasileiro (1987,1989,1990,1991,1992 e 1993), um dos poucos recordes que ainda resiste à saga de Michael Schumacher, que acumula cinco conquistas (1994,1995,1997,1999 e 2001).
 
 1994, primeira das cinco vitórias do alemão no principado, em busca do recorde de Senna.

A vitória mais espetacular foi, sem dúvida, a de 1992: ciente de aproveitar uma eventual falha técnica ou humana do conjunto Williams-Renault-Mansell, Senna andou sempre o mais próximo do líder. Faltando oito voltas para o final, um pneu traseiro do carro do inglês furou e, quando ele voltou à pista, Senna estava à sua frente. A cada curva parecia que o McLaren ia ficando menor, frente ao poderoso Williams que crescia movido pela gana do "Leão". Mas a vitória foi de Senna, o novo "Mr. Mônaco".
 
Batalha de 1992 - Ayrton Senna vs. Nigel Mansell

Em 2012, o hexacampeão Michael Schumacher a bordo do seu Mercedes, tentará mais uma vez igualar o recorde de seis vitórias no principado de Ayrton Senna, mas jamais terá o mesmo impacto que o brasileiro. A começar pelo fato de nunca ter derrotado Ayrton neste circuito - suas vitórias aconteceram de maneira mais diluída. 
 
Neste ano, como nos anos anteriores, Schumacher terá adversários que irão dificultar ao máximo sua tarefa. Talvez, seja um dos poucos recordes que o alemão ainda não conseguiu, e que talvez, esteja alimentando um pouco o seu combustível da motivação para continuar na Fórmula 1, mesmo aos 43 anos de idade.

Graham Hill, inglês
5 vitórias no principado
1963 -----> BRM
1964 -----> BRM
1965 -----> BRM
1968 -----> Gold Leaf Lotus
1969 -----> Gold Leaf Lotus

GRAHAM HILL ONBOARD

Michael Schumacher, alemão
5 vitórias no principado
1994 -----> Benetton Ford
1995 -----> Benetton Renault
1997 -----> Ferrari
1999 -----> Ferrari
2001 -----> Ferrari

MICHAEL SCHUMACHER ONBOARD

Ayrton Senna, brasileiro
6 vitórias no principado
1987 -----> Lotus Honda
1989 -----> McLaren Honda
1990 -----> McLaren Honda
1991 -----> McLaren Honda
1992 -----> McLaren Honda
1993 -----> McLaren Ford

AYRTON SENNA ONBOARD

Texto extraído da Revista Racing
Ano 8 , n° 145
por Wagner González
fotos www.google.com.br/images

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fim de Semana mais negro da Fórmula 1


Nenhuma palavra é capaz de descrever o que aconteceu naquele fatídico fim de semana no pequeno país de San Marino. Nunca um esporte ficou tão abalado com mortes trágicas de seus esportistas.

Uma tragédia anunciada, pois na sexta-feira anterior a corrida, um terrível acidente assombrou Rubens Barrichello, o então jovem brasileiro que tinha em Ayrton Senna seu principal tutor.

A Fórmula 1 vivia um período de transição. Os grandes pilotos da geração de ouro haviam aposentado ou migrado para outra categoria. Restara apenas Ayrton Senna que estava sentado no melhor carro do grid. O único capaz de deter o brasileiro era o então jovem alemão Michael Schumacher, que na época tinha apenas 2 vitórias no currículo e nenhuma pole-position.

Então, restou a FIA tirar tudo o que havia de melhor da Williams para equilibrar o campeonato. Então todos os recursos eletrônicos foram retirados e os carros passaram a ter uma maior velocidade sem os controles eletrônicos. 

Os primeiros sustos começaram nos treinos de inverno europeu. Jirkyjarvi Lehto se machucou nos treinos com a sua Benetton, e Jean Alesi quebrou algumas costelas em um acidente em Mugello com a Ferrari.

Interlagos e Aída no Japão não tivemos grandes sustos e o Mundial chegou à pista de Ímola, conhecida pela sua alta velocidade. 

Sexta-feira, dia 29 de abril de 1994, Rubens Barrichello sofreu um acidente forte e teve algumas escoriações no corpo.


 Rubens Barrichello, sexta-feira, 29 de abril de 1994.

Todo o mundo da Fórmula 1 ficou chocado com as imagens do resgate do brasileiro e com a brutalidade do acidente. Nenhuma atitude pró-segurança foi tomada e o acidente do brasileiro não foi levado à sério pelas autoridades da Formula 1. O único que demonstrou uma certa preocupação foi Ayrton Senna, que ficou assustado com as imagens.

O sábado amanheceu com o tempo nublado em Ímola, e o mundo da Fórmula 1 se preparava para o treino oficial. Ayrton Senna já marcara o seu tempo e estava nos boxes. Eis que uma Simtek número 32 aparece destruída com a capacete do piloto tombada e uma parte do macacão aparecendo em um rombo no cockpit do carro.

É Roland Ratzemberger, austríaco, 33 anos. Estava iniciando a carreira na Fórmula 1 e estava super empolgado pela oportunidade. Teve nos compatriotas Karl Wendlinger e Gerhard Berger seus melhores amigos nas primeiras corridas na categoria. 

  Roland Ratzenberger, sábado, 30 de abril de 1994.

Roland bateu forte na curva Villeneuve, e seu carro ficou destruído. Foi removido do carro e logo nos primeiros socorros, o então diretor-médico da FIA, o Dr. Sid Watkins atestou a gravidade do piloto. O piloto teve uma parada cardíaca na pista e o reanimaram. Encaminharam o piloto para o Hospital Maggiore em Bolonha aonde veio a falecer mais tarde. 

Era a primeira morte na pista da Fórmula 1 desde Ricardo Palleti em 1982. Elio de Angelis morreu em testes privados da Brabham em Paul Ricard em 1985. A morte do austríaco foi um choque para a categoria, mas não muito para as autoridades da F1. 

Pelas leis italianas, se um esportista morre em um evento, este tem que ser imediatamente cancelado. Após a morte do austríaco, foi cogitado o cancelamento do GP, que foi inacreditavelmente refutada por Bernie Ecclestone. Os interesses econômicos falaram mais alto, e deram prosseguimento ao GP de San Marino.

Tal atitude foi imperdoável. O destino avisou e não tardou em mostrar ao mundo da Fórmula 1 que não poderia ser subestimada.


  Ayrton Senna, sábado, 30 de abril de 1994.

Pelas imagens acima, é claro que o único transtornado com toda a situação era Ayrton Senna. Extremamente chocado com o acidente de Barrichello e a morte de Roland Ratzenberger, o brasileiro chorou ao conversar com o Dr. Sid Watkins e expressou sua indignação com os acidentes. Foi aconselhado pelo mesmo médico a desistir da corrida e da Fórmula 1 pois não tinha mais nada a provar, Ayrton refutou dizendo que não poderia abandonar pelo simples fato que amava o que fazia.

Além de estar abalado, Senna tentou junto com Niki Lauda e Gerhard Berger a reunião da GPDA (Grand Prix Drivers Association) para analisar e debater as condições de segurança da categoria. Sua presença no local do acidente foi contestada pela direção da prova que aplicou-lhe uma advertência. Ayrton Senna não estava em sua plenitude psicológica para encarar uma prova de alto risco.

  Pedro Lamy, domingo, 1 de Maio de 1994.

Senna conseguiu sua 65ª pole position e estava preparado para a corrida. Pela manhã pediu para o seu personal trainer, Julian Jakobs, uma bandeira da Áustria para que, se caso vencesse, faria uma homenagem à Roland. 

Mas a corrida não era para acontecer. Logo na lardada, Pedro Lamy e JJ. Lehto bateram forte e uma pneu voou para as arquibancadas matando espectadores. A corrida ficou cinco voltas com o safety car. 

Sexta-volta, Senna abriu a volta em alta velocidade com Michael Schumacher colado na traseira do seu carro. Na sétima volta, a Williams #2 seguiu reto na curva Tamburello à aproximadamente 300 km/h. Verificando que algo estava errado no carro, Senna freou forte e se chocou com o muro de concreto á 220 km/h. 

O carro azul quase voltou à pista e ficou parado na brita. Senna estava inerte no carro e esboçou uma reação com a cabeça. A chegada do socorro evidenciou o que todos temiam, Ayrton Senna estava em estado grave. 

A grande poça de sangue e o resgate médico via helicóptero mostraram ao Mundo o verdadeiro estado crítico do brasileiro, poucas chances de vida. Naquele momento, a Fórmula 1 anestesiou-se. 

Inescrupulosamente, a direção de prova deu prosseguimento à corrida. Enquanto Senna agonizava no Hospital Maggiore em Bolonha, Michael Schumacher comemorava sua 3ª vitória na temporada, demonstrando total alienação ao Mundo em sua volta. Mesmo sabendo do estado crítico do brasileiro, da morte de Roland no sábado anterior, Schumacher ergueu o braço e saudou sua vitória. O Mundo enojou-se.

 Ayrton Senna, Domingo, 1 de maio de 1994.

 Pneu com o jogo de suspensão atado, peça fatal.
créditos: Toninho Moré ( junior-pprudente )

   Domingo, 1 de Maio de 1994. Dia Negro da F1

É horrível relembrar estes dias, mas o mundo da Fórmula 1 jamais poderá esquecer pois nesses três dias, a Fórmula 1 chegou ao fundo do poço.

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domingo, 1 de abril de 2012

Fórmula 1 - O Melhor da atualidade

Afinal de contas, quem é o melhor piloto da atualidade?


Depois do bicampeonato mundial incontestável e desempenho acima da média, a imprensa mundial não evitou em exaltar o alemão Sebastian Vettel como o melhor piloto da F1 em atualidade e um provável quebrador dos recordes do mito Michael Schumacher.

Começamos a temporada 2012 de F1, e após a evidência queda de rendimento da equipe Red Bull, como um passo de mágica, todos exaltam a competência de Fernando Alonso com uma errática Ferrari F2012 e clamam o espanhol como o "melhor em atividade".

Afinal de contas, quem é o melhor piloto de F1 na atualidade?

Sempre imaginei que Sebastian Vettel fosse um talento nato, um piloto de extrema habilidade e velocidade. Com sua pouca idade, conseguiu pontos logo em sua estréia na F1 a bordo de um BMW-Sauber e uma surpreendente pole e vitória em Monza a bordo de um carro mediano - a Toro Rosso. Sua ida para a Red Bull e a conquista do bicampeonato mundial apenas sacramentaram o talento e sua extrema habilidade no volante.

Vettel, o melhor da atualidade?

Sendo frios analistas, temos que considerar que Sebastian Vettel dispôs do melhor equipamento da F1 nos últimos dois anos e de uma certa preferência dentro da cúpula "taurina". Claro, a "preferência" foi imposta por sua extrema velocidade dentro das pistas e por suas vitórias e poles. 

Após a conquista do bicampeonato, sem medo de cravar, todos disseram: "Vettel é o melhor piloto em atividade na Fórmula 1".

Algumas vozes inteligentes dentro da F1 disseram que veríamos o melhor de Vettel quando este estivesse a bordo de um carro com problemas e veríamos o quão bom é o alemão. Porque são nas dificuldades que vemos a real grandeza dos grandes campeões da Fórmula 1.

Ayrton Senna em 1993...

...e Schumacher em 1996, grandeza em carros inferiores.

Após duas corridas desta temporada, vemos um Sebastian Vettel incomum. Conseguiu um bom 2º lugar na Austrália, mesmo não conseguindo ameaçar a vitória do inglês Jenson Button. E na Malásia, um desconhecido Vettel. Após errar, desrespeitou o indiano Narain Karthikeyan e demonstrou seu lado intempestivo, pouco comum na F1. O alemão parece não estar acostumado em andar atrás, e para um verdadeiro campeão, para o "melhor da atualidade" é preciso sobressair destas situações.

E então chegamos no espanhol Fernando Alonso.


O bicampeão mundial (2005/2006) sempre foi considerado o melhor do "circo" antes da supremacia do alemão Vettel.

Após a conquista do bicampeonato e da aposentadoria de Michael Schumacher em 2006, o espanhol de Oviedo foi considerado o melhor piloto em atividade na F1. Sua ida para a McLaren foi um dos grandes desafios para sua carreira.

A experiência na McLaren não foi boa

O encontro com o novo companheiro inglês Lewis Hamilton não foi das melhores lições para o espanhol. Tendo um grande desafio para demonstrar sua grandeza, Fernando alonso falhou.

Demonstrou um imenso egoísmo e transformou o ambiente da equipe inglesa em um verdadeiro "campo de batalha". Ao invés de demonstrar na pista sua supremacia, tentou desestabilizar o inglês no campo da política. Conseguiu  o que queria, não levou o título, desestabilizou Hamilton e destruiu a moral histórica de Ron Dennis além de chantagear a própria equipe no caso de espionagem com a Ferrari. 

Vitória em Cingapura, 2008 - Totalmente questionável

Retornou a equipe Renault em 2008, e após duas temporadas, demonstrou ter o mesmo temperamento complicado porém dentro das pistas uma maior maturidade. Como todo campeão polêmico, outro caso assolou sua desgastada reputação. O "cingapuragate".

Imposto por Flávio Briatore, então chefe de equipe da Renault, Nelson Ângelo Piquet, então companheiro de equipe, foi forçado a bater propositalmente seu carro para favorecer seu companheiro de equipe Alonso na conquista da vitória no GP cingalês. Quando o caso veio a tona, todos se perguntavam se Alonso não sabia da tramoia. O espanhol foi enfático ao dizer que não sabia de nada e acabou deixando no ar a dúvida quanto ao seu conhecimento. Se formos buscar no histórico de falcatruas do espanhol, é dificil acreditar que não sabia de nada.

Essas questões extra-pistas atrapalharam na análise fria de sua grandeza dentro das pistas. Tanto que o aparecimento de talentos como Lewis Hamilton, o ressurgimento de Jenson Button e do talento nato de Sebastian Vettel fizeram com que a imprensa mundial deixasse a "grandeza" de Fernando Alonso de lado. 

Minha opinião particular, sou fã do estilo de pilotagem de Lewis Hamilton e me fez pensar várias vezes como o "melhor piloto da F1 da atualidade", mas ultimamente tenho percebido que pelo conjunto da obra, pelo seu histórico na categoria, pela experiência e pelo que tem demonstrado dentro e fora das pistas, essa pergunta tem uma resposta seca - Jenson Button.



por Cláudio Souza
@claudiosgs

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domingo, 18 de março de 2012

A Magia de um Quarteto


Como Senna, Prost, Mansell e Piquet hipnotizaram fãs do automobilismo mundial

A Fórmula 1 2012 começou neste final de semana na Austrália com a presença de seis campeões mundiais (Schumacher, Vettel, Alonso, Hamilton, Button e Räikkönen), mas nenhum fã da F1 esquece da geração de ouro formada por Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet. 

Eles juntos conquistaram 11 títulos mundiais, isso é, uma década de títulos dominados pelo quarteto. Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet protagonizaram entre eles, talvez, as mais espetaculares batalhas dentro e fora das pistas que a F1 já assistiu.

A rivalidade entre os quatro elevou o interesse da F1 a niveis antes inimagináveis. O primeiro a chegar na categoria foi o brasileiro Nelson Piquet Souto Mayor. Oriundo da F3 aonde fora campeão, Nelson estreou em 1978 a bordo de um McLaren M23 da equipe Ensign. Após ingressar na equipe Brabham, conseguiu sua primeira vitória e o vice-campeonato em 1980. Seu primeiro título mundial veio em 1981 pela mesma equipe.

 Piquet estreou na F1 em 1978

O segundo a chegar na categoria foi o que mais conquistou títulos do quarteto, o francês Alain Marie Pascal Prost.
Ele estreou na F1 em 1980 a bordo de um McLaren Ford. Após aceitar o desafio de correr na equipe francesa Renault, Prost conseguiu sua primeira vitória em 1981 justamente no GP da França, em Dijon-Prenois.

Considerado o mais cerebral e técnico dos quatro, Prost sempre foi um piloto muito bem colocado politicamente dentro da categoria, o que tornava sua imagem perante os demais um pouco distorcida. Gozava da amizade do então chefão da FIA - Jean Marie Balestre.

 Alain Prost, "O Professor".

Apesar de ter iniciado bem na F1, o primeiro título mundial do francês veio apenas em 1985 a bordo do McLaren TAG Porsche. Após anos de tentativa com o Renault, aonde conseguiu o vice-campeonato mundial de 1983 após perder a batalha contra o brasileiro Nelson Piquet, Prost voltou a equipe aonde estreara em 1980.

Conseguiu o bicampeonato 1985/1986, entretanto em 1984 conheceu o seu maior rival dentro das pistas, seu nome: Ayrton Senna da Silva.

 Alain Prost e McLaren - 3 títulos mundiais.

O terceiro da lista também iniciou na categoria em 1980, talvez o mais agressivo do quarteto, seu nome é Nigel Ernst James Mansell.
Começou pela lendária equipe Lotus, aonde foi pupilo de Colin Chapman de 1980 até 1984, sem conseguir vitórias.

Sem chamar muita atenção, Mansell foi contratado pela equipe Williams para ser companheiro do finlandês Keke Rosberg em 1985. Fortemente identificado com a equipe, Mansell conseguiu sua primeira vitória na categoria no GP da Europa disputado na Inglaterra, no circuito de Brands Hatch.

 Nigel Mansell, "O Leão"

Após a saída de Keke da Williams, Mansell teve em Nelson Piquet o seu maior rival dentro e fora das pistas. Após batalhas épicas, Mansell conseguiu dois vice-campeonatos. Em 1986 perdeu o título na última etapa quando era franco favorito, e em 1987 após conseguir se impor perante Piquet, se lesionou nos treinos do GP do Japão e abandonou a disputa. Seu primeiro e único titulo mundial veio apenas em 1992, quando o "Leão" tinha 38 anos.

O ultimo do quarteto a chegar na categoria foi o mais brilhante de todos, Ayrton Senna da Silva.

O mais jovem do quarteto, chegou na categoria em 1984 a bordo do Toleman Hart aonde conseguiu dois pódios, sendo um deles histórico em Mônaco. Sua ida para a Lotus em 1985 acabou dando chances ao grande talento do jovem Ayrton. Sua primeira vitória veio na segunda etapa do campeonato em pleno diluvio português de Estoril. Foram três anos de Lotus com seis vitórias e inúmeras poles. O casamento com a McLaren resultou no tricampeonato mundial e na confirmação do talento.

 Ayrton Senna, "O Imortal"

Nélson Piquet vs. Alain Prost


Talvez a rivalidade entre os dois seja a mais "fria" dentro do quarteto. Piquet e Prost disputaram o título mundial de 1983 com vitória do brasileiro. Os dois mantiveram um certo respeito entre eles e poucas vezes um acusou o outro de deslealdade.

Está certo que a decisão do título entre os dois foi controvertida. Piquet acusou Prost de ter sido "sujo" ao disputarem a curva Tarzan durante o GP da Holanda. Prost tentou a ultrapassagem, errou a tangência da curva e acabou acertando Piquet.

Para Piquet, Alain sempre foi um piloto bom, como qualquer outro, mas que tinha na política sua grande arma dentro da Formula 1. Alain Prost sempre respeitou o tricampeão mundial, a ponto de indica-lo como um possivel companheiro de equipe na McLaren em 1988.

 Prost x Piquet - Holanda 1983

Prost x Piquet - EUA 1987

Prost x Piquet - Austria 1983

Piquet brinca com Prost durante entrevista, 1991.

 Nigel Mansell vs. Nelson Piquet




Rivalidade nascida das divergências ocorridas dentro da equipe Williams, Piquet e Mansell jamais se entenderam. Nigel teve a ajuda dos compatriotas ingleses para andar no mesmo nível do brasileiro. Após o acidente sofrido por Frank Williams, o que lhe deixou tetraplégico, o engenheiro e sócio da equipe - Patrick Head assumiu a maioria das decisões da equipe, e sua preferência por um título do compatriota era nítido.

Durante a temporada de 1986, Piquet e Mansell duelaram pelo título até a última etapa do campeonato. Na Austrália, deu tudo errado para a dupla da Williams.

Mansell era o favorito ao título, mas seu pneu estourou em plena reta por causa dos defeitos de fabricação da fabricante da época, Goodyear. Alain Prost passou pelo mesmo drama só que seu pneu estourou poucos metros antes da entrada dos boxes, fazendo com o que o francês perdesse pouco tempo. O título estava livre para Nelson Piquet, só que o brasileiro começou a sentir fortes vibrações no seu carro, o que provocou uma parada extra nos boxes. O título acabou caindo nas mãos do francês Alain Prost, da rival McLaren.

Estouro do pneu em Adelaide - Fim do sonho para Mansell.

Mansell x Piquet - Espanha 1987

Em 1987 a rivalidade aflorou. Piquet e Mansell dispunham de um equipamento superior aos demais. Após o forte acidente do brasileiro na curva Tamburello em San Marino, Mansell emplacou vitórias e poles. A batalha épica em Silverstone é um capítulo à parte desta rivalidade. Aos poucos, Piquet foi recuperando terreno e no final do campeonato, Mansell teve um forte acidente durante treinos do GP do Japão e abandonou a disputa. Tricampeonato para o brasileiro Nelson Piquet, e mais uma desilusão para Nigel Mansell.

Mansell x Piquet - Silverstone 1987

Mansell x Piquet - Austria 1987

Mansell x Piquet - Australia 1990

Piquet comenta sobre seus rivais

Nigel Mansell vs. Alain Prost


Sabemos muito bem que franceses e ingleses não gozam de tanta simplicidade entre ambos. Quando a Ferrari anunciou a contratação de Alain Prost para o lugar de Gerhard Berger para a temporada de 1990, todos esperavam uma reação intempestiva do inglês Mansell.

O jeito político de Prost conseguiu domar o "Leão" Mansell nos primeiros meses de trabalho. Conforme o ano foi progredindo e Alain foi conseguindo melhores resultados e maior atenção da equipe, Mansell desequilibrou-se.

Durante o GP da Inglaterra, anunciou que abandonaria a categoria porque não aguentava mais o clima dentro da Ferrari. Voltou atrás após convite de Frank Williams para pilotar um de seus carros com o status de "número 1".

No final do ano, atrapalhou Alain Prost durante o GP de Portugal deixando caminho livre para as McLaren de Senna e Berger, resultando em um clima hostil dentro da equipe.

Prost x Mansell na Ferrari em 1990

Prost e Mansell protagonizaram poucas disputas dentro das pistas, o último capitulo desta rivalidade foi a conturbada saída do inglês da Williams em 1992. Com o título já conquistado, Nigel negociava sua renovação e ficou extremamente chateado ao saber da contratação do francês Alain Prost e da intenção de Frank Williams de contar com Ayrton Senna.

Após o descobrir os reais planos da Williams, Mansell migrou para os Estados Unidos para ser campeão da Fórmula Indy pela equipe Newmann-Hass.

 
Mansell x Prost - Bélgica 1989

Mansell x Prost - França 1991

Mansell x Prost - Alemanha 1987

Ayrton Senna vs. Nelson Piquet


A rivalidade entre os brasileiros foi tensa fora das pistas e fria dentro. Os dois protagonizaram a mais espetacular ultrapassagem da história da F1, durante o GP da Hungria em 1986. Nelson Piquet pilotando sua Williams Honda conseguiu uma linda ultrapassagem por fora, derrapando nas quatro rodas após tentativas frustradas.

Durante testes de 1983, Senna e Piquet foram postos frente a frente por Bernie Ecclestone, então chefe da Brabham, para testar o bólido com motor BMW turbo. Piquet foi o mais rápido e Ayrton Senna acusou o compatriota de veta-lo na equipe. A versão de Piquet é que a Parmalat, patrocinadora principal da equipe na época, não queria dois brasileiros na equipe e indicou um italiano - Riccardo Patrese, Hipótese mais plausível.

 Senna sentado no Brabham de Piquet - O ínicio das rusgas.

Senna x Piquet em ação na Hungria, 1986

O ápice desta rivalidade ocorreu durante testes em Jacarépagua para a disputa da temporada de 1988. Ayrton Senna, então recém contratado pela McLaren, disse que "era bom desaparecer um pouco para dar espaço para Nelson Piquet aparecer na mídia, ja que tinha sido tricampeão". A resposta de Piquet veio como um soco no estômago. "Ele desapareceu porque não quer explicar para a mídia que não gosta de mulher"., disse na época Piquet.

As consequências destes comentários correram o Mundo. E quase chegaram as vías jurídicas. Piquet se retratou e os dois nunca mais falaram no assunto. Piquet e Senna dividiram algumas vezes o pódio até a aposentadoria do tricampeão Nelson em 1991.

Piquet x Senna - Hungria 1986 

 Ayrton Senna vs. Nigel Mansell




Uma rivalidade cheia de arrojo e agressividade, assim podemos resumir o que foi SENNA vs. MANSELL. Um não aceitava perder para o outro, e a agressividade das disputas era de tirar o fôlego de qualquer apaixonado por automobilismo.

Talvez esta rivalidade tenha sido a mais testemunhada pelo Mundo da Formula 1. Mansell e Senna por possuírem estilos parecidos, quando se encontravam na pista, era um roda-a-roda, fecha a porta, tentativa de ultrapassagem pela parte limpa ou suja da pista, e muitas vezes um dos dois ficava pelo caminho.

Essa rivalidade possui vários capitulos épicos, como a disputa nas voltas finais em Monte Carlo 1992 quando Ayrton Senna segurou bravamente Nigel Mansell e sua Williams de outro planeta, ou então o roda-a-roda do GP da Espanha de 1991 (conforme foto acima) e outras tantas. 

Confira nos videos o espetáculo SENNA vs MANSELL >

Senna x Mansell - Mônaco 1992

Senna x Mansell - Espanha 1991

Senna x Mansell - Bélgica 1987

Senna x Mansell - Espanha 1986

Senna x Mansell - Hungria 1989

Senna x Mansell - Australia 1992

Senna x Mansell - Itália 1991

Senna x Mansell - Brasil 1986

Senna x Mansell - Japão 1991

 Ayrton Senna vs. Alain Prost


A mais tensa e perigosa rivalidade que já existiu na história da F1. Ayrton Senna e Alain Prost magnetizaram o mundo da F1 por uma década. Desde o encontro dos dois, no pódio do GP de Monte Carlo em 1984 até o derradeiro pódio dos dois na F1, em Adelaide, no GP da Australia em 1993, Senna e Prost viveram capítulos de paixão e ódio.

Prost, então bicampeão mundial e intocável dentro da equipe McLaren, indicou Ayrton Senna como um potencial nome para ser seu companheiro de equipe, indicação prontamente atendida pelo chefão Ron Dennis.

A relação dos dois começou de maneira harmoniosa. Cada um respeitando o espaço do outro. A bordo do espetacular McLaren MP4/4, os dois monopolizaram o campeonato de 1988. Ayrton e Alain travaram algumas batalhas dentro das pistas, com ligeira vantagem para o brasileiro que acabou levando o título mundial de 1988.

 Pódio Mônaco 1984 - O encontro dos "deuses"

Senna, campeão mundial de F1 em 1988.

A animosidade entre ambos iniciou-se em San Marino, 1989. Os dois possuíam um "acordo de cavalheiros", que quem largasse melhor, não incomodaria o outro até o final da volta. Na primeira largada, Ayrton Senna largou melhor e Prost respeitou o acordo. Só que a corrida foi paralisada por causa do acidente de Gerhard Berger na Tamburello.

Na segunda largada, Prost largou melhor e Senna veio atrás. Antes da curva Villeneuve, Ayrton emparelhou com Prost, ultrapassando-o.
No final da prova, Senna venceu e Alain estava revoltado com a "traição" do brasileiro. Ayrton deu de ombros para os questionamentos de Prost, colocando fogo na rivalidade.

O ínicio da animosidade - San Marino 1989

A partir deste capitulo, Senna e Prost nunca mais trocaram afagos. E o clima dentro da equipe ficou insustentável. Alain acusava a equipe McLaren e Ron Dennis de privilegiarem o brasileiro. Ao seu lado, Prost tinha o carisma de Jean-Marie Balestre, então chefão da FIA.

O capítulo final de 1989 veio em Suzuka. Disputa pelo título mundial. Prost lidera a corrida e Senna tendo dificuldades para acompanha-lo. Da metade para o fim da corrida, Senna se aproxima e tenta a ultrapassagem. Prost fecha propositalmente a porta e os dois colidem. Prost abandona o carro e Ayrton retorna cortando a ultima chicane. Seu bico quebra e ele para troca-lo. Volta em 2o bem atrás do italiano Alessandro Nannini. O brasileiro consegue tirar a diferença e ultrapassa-lo para a vitória.

Suzuka 1989 - Senna x Prost

Só que, por força da FIA, Ayrton Senna é desclassificado da corrida por ter voltado a pista cortando a última chicane antes da reta. Senna perde a vitória no tapetão. Inicia-se a "guerra fria".

A temporada de 1990 também é marcada pela rivalidade entre Senna e Prost. Vitórias para ambos e a decisão chega para o mesmo palco do ano anterior. Nesta ocasião, as situações invertem-se. Prost necessita da vitória. 365 dias após o incidente em Suzuka, um novo capitulo coloca fogo nesta rivalidade.

Prost larga melhor e Ayrton Senna entra no vácuo da Ferrari do francês. Sem pensar duas vezes, Senna "atropela" o carro do francês e os dois abandonam a disputa. Titulo mundial para o brasileiro.

Suzuka 1990 - Senna x Prost

Em 1991, os dois mantiveram a "guerra fria". Graças a baixa competitividade da Ferrari, Prost pouco fez ante a McLaren de Senna. Em 1992, Prost ficou fora da F1 após ser demitido da equipe italiana no final da temporada anterior.

Sua volta à F1 em 1993 foi polêmica. A rivalidade que estava arrefecida, voltou com a mesma temperatura infernal após Ayrton Senna descobrir o veto de Alain Prost de ter o brasileiro como companheiro de equipe na Williams Renault.

Senna chama Prost de covarde ao saber do veto, Estoril 1992.

A temporada de 1993 foi uma das mais espetaculares. Senna, a bordo do pouco competitivo McLaren Ford, muitas vezes fez frente ao poderoso Williams Renault do francês Alain Prost.

A batalha entre os dois no primeiro GP do ano, na Africa do Sul deu amostras do que seria o ano.

 
Senna x Prost - Africa do Sul 1993

Senna x Prost - Inglaterra 1993

Senna x Prost - San Marino 1993

Pódio do GP da Australia 1993 - O Fim da Geração de Ouro

A rivalidade terminou de maneira bonita, os dois grandes rivais fizeram as pazes no pódio do GP australiano, em Adelaide. Ayrton Senna reconheceu o talento e a história do francês, que estava se aposentando.

Terminava neste pódio, um capítulo de ouro na história da Fórmula 1. Terminava ali o quarteto fantástico.

Um pouco mais de SENNA vs. PROST >>>

 
Senna x Prost - Portugal 1988

Senna x Prost - Canadá 1986

Senna x Prost - Itália 1991

Senna x Prost - Inglaterra 1985

Senna x Prost - Canadá 1988

Senna x Prost - Portugal 1990

Senna x Prost - Japão 1993

Senna x Prost - Japão 1988

O "adeus" de Senna ao seu eterno rival - Alain Prost



" Eles fazem a história e nós escrevemos a história..."