quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Patrocinando a brincadeira...

Com o passar dos anos, a F1 tornou-se cada vez mais profissional e com isso, os valores de uma temporada para cada equipe tornaram-se mais altos a cada ano.

Diretamente ligado aos resultados durante o campeonato, está o orçamento da equipe para investimentos e tecnologias sempre mais caros e modernos. Desde a contratação dos melhores engenheiros até as viagens de um país ao outro, todos os passos tomados por uma equipe são calculados detalhamente junto a este orçamento.

Com isso, a figura do patrocinador tornou-se muito mais importante para uma equipe pois a luta nos dias atuais não é apenas pelos melhores resultados, mas também para se manter na categoria mais cara do mundo da velocidade.

Em 2010, tivemos grandes exemplos de como o dinheiro investido gera boas performances e que por sua vez, atrai mais patrocinadores para a equipe viabilizando novos investimentos e acontecendo assim, um ciclo vicioso entre patrocinadores, bons resultados e mais patrocinadores.

Para ilustrar melhor esta situação da categoria, vamos analisar 5 épocas diferentes das equipes Renault e Sauber durante a atual temporada dando ênfase a quantidade de marcas de patrocinadores expostos em seus carros.

Lançamento do novo carro – Janeiro de 2010.

Renault F1 Team:
renaultlancamento

No início do ano, a equipe lançou o seu carro, o R30, praticamente sem nenhum patrocinador de expressão, apenas os fornecedores básicos do time. A foto acima mostra o patrocínio da TW Steel, marca de relógios parceira da equipe desde 2009 e os fornecedores Bridgestone e Total/ELF, pneus e combustível respectivamente. Com os escândalos envolvendo profissionais da equipe durante a temporada anterior, os principais parceiros da equipe abandonaram o barco ainda em 2009, o que deixou o ano de 2010 incerto para a equipe francesa  que foi salva após um acordo com a Genni, empresa de consórcio que não leva seu nome na carenagem da equipe, apenas nas hastes que sustentam as rodas dianteiras.

Sauber Motorsport:

Formula One World Championship
Peter Sauber recomprou sua equipe após o anúncio de decisão da BMW de abandonar a categoria após 3 temporadas como independente e com isso, veio a nova época de seca de patrocínios. Praticamente todos os parceiros da época da BMW foram embora com a montadora alemã deixando a Sauber com um piloto inexperiente, porém promissor (Kamui Kobayashi), e um experiente sem nenhum apelo de marketing (Pedro De La Rosa). Com isso, o carro C29 foi lançado apenas com os fornecedores básicos como a Bridgestone e um patrocinador, a marca de relógios suíça Certina, única sobrevivente após a saída da BMW.


GP da Austrália – Março de 2010:
Após a estréia das equipes no GP do Bahrein com a mesma carenagem exibida nos lançamentos dos carros, a equipe Renault colheu os frutos da contratação de Robert Kubica, um dos principais nomes do grid nos dois anos anteriores e conseguiu os primeiros parceiros para preencher os primeiros espaços vazios em seu carro.
Já a Sauber, permaneceu como foi lançada já que, aliada ao fatos dos pilotos não serem muito expressivos, o resultado da primeira etapa não foi nada animador para investidores em potencial com o abandono de seus dois pilotos ainda na primeira metade da corrida.

Renault F1 Team:
renaultaustralia
Para a segunda etapa do campeonato, a equipe francesa conseguiu o apoio das marcas da HP e DIAC e com isso, alcançar melhores resultados tornaram-se possíveis como o próprio Kubica chegando na segunda colocação nesta mesma corrida. Claro que o pódio não foi obra do patrocinador, mas encheu os olhos dos investidores e aumentaram a visibilidade da equipe para novos parceiros.

Sauber Motorsport:
sauberaustralia
Nada mudou no carro da equipe suíça e eles continuaram sem nenhum patrocinador e com isso, sem nenhum novo apoio financeiro.

GP da Turquia – Maio de 2010:
A sétima etapa da temporada já trazia um cenário diferente para ambas equipes, tanto em questão de resultados como em número de parceiros de investimento.
Enquanto a Renault continuava uma linha crescente de bons resultados e novos parceiros, a equipe Sauber colhia os frutos do amadurecimentos de seus pilotos com resultados melhores que no início da temporada, o que trouxe os primeiros patrocinadores, ainda que pequenos e talvez sem fazer muita diferença no orçamento da equipe.

Renault F1 Team:
Vitaly Petrov (RUS) Renault R30.
Formula One World Championship, Rd 7, Turkish Grand Prix, Qualifying Day, Istanbul Park, Turkey, Saturday 29 May 2010.
Além da HP e da DIAC, o governo russo resolveu aumentar o apoio a equipe francesa – que já era presente devido a Vitaly Petrov ser o primeiro piloto russo na categoria – através da marca de veículos LADA. Além da marca russa, a Movit, que além de ser a fornecedora de freios, passou a ser patrocinadora, e a Trinar Solar, empresa de energias alternativas. Após 7 etapas, a equipe já somava 5 novos patrocinadores desde o lançamento do carro.

Sauber Motorsport:
Pedro De La Rosa (ESP) BMW Sauber C29.
Formula One World Championship, Rd 7, Turkish Grand Prix, Qualifying Day, Istanbul Park, Turkey, Saturday 29 May 2010.
Discretos, porém presentes. Esse era o lema dos novos (e únicos) patrocinadores da equipe suíça até aqui. A Emil Frey, empresa da indústria automobilística da suíça, passou a expor seu logo na única peça com função aerodinâmica permitida no atual regulamento da F1. Graças ao sucesso de Kamui Kobayashi, um dos melhores pilotos japoneses a competirem na F1, a Scalp-D, empresa japonesa de cosméticos passou a fazer parte da equipe Sauber mas também com uma exposição discretíssima com sua marca exposta no canto do aerofólio traseiro e com seu logo em japonês. Após 7 etapas da temporada 2010, a Sauber havia conquistado apenas 2 patrocinadores para parceria.

GP da Alemanha – Julho de 2010:
Chegamos a 11ª etapa da temporada e a situação de patrocinio das equipes não mudou muito. Com resultados não muito expressivos da Renault e Sauber, ambas equipes continuaram com suas carenagens praticamente iguais por 4 etapas desde a ultima "atualização" visual.
Entretanto, com o dinheiro já investido nas equipes até aqui, a equipe francesa tem grande vantagem na pontuação da tabela.

Renault F1 Team:
renaultalemanha
Apesar dos resultados continuarem, de certa forma, positivos, a equipe Renault não acrescentou muita coisa ao seu portfólio de parceiros, apenas a empresa de design gráfico Helvetica passou a ilustrar o carro logo ao lado do logo da DIAC.

Sauber Motorsport:
sauberalemanha
A Sauber realmente permaneceu sem nenhuma novidade para a etapa alemã do campeonato, exceto o logo de comemoração do 40 anos da equipe dentro automobilismo. Vale a pena lembrar que a Sauber entrou na F1 muito tempo depois de iniciar suas participações em competições automotivas.

GP do Japão – Outubro de 2010:
A última etapa realizada pela F1 mostrou uma grande evolução de ambas equipes na área de marketing. Resultado da evolução e renovação de contrato para 2011 de Kamui Kobayashi, o amadurecimento de Vitaly Petrov, a entrada de Nick Heidfeld para a equipe e os bons resultados e performances de Robert Kubica, novos patrocínios vieram para as duas equipes.

Renault F1 Team:
renaultjapao
Após alguns pódios de Kubica e importantes pontos de Petrov, a Renault aumentou sua visibilidade e, além de garantir evoluções para o carro como F-Duct, pode começar o desenvolvimento do carro de 2011 com mais tranqüilidade. Abaixo, os atuais patrocinadores da equipe francesa que foram conquistados durante a temporada:

  • HP;
  • LADA;
  • Trina Solar;
  • Movit;
  • SNORAS Bank;
  • DIAC;
  • Helvetica;
  • Vyborh Shipyard;
    Ao total, a Renault F1 Team conquistou 8 patrocinadores ao longo da temporada 2010 de F1, até o momento.

    Sauber Motorsport:
    sauberjapao
    Como resultado do efeito "KobaShow", a equipe Sauber pode garantir sua permanência na categoria em 2011 assim como alguma atualizações no atual carro. Abaixo, os atuais patrocinadores da equipe suíça que foram conquistados durante a temporada:
    • Mad-Croc Energy Drink;
    • Scalp-D;
    • Emil Frey;
    • Planex Group;
    Ao total, a Sauber Motorsport conquistou 4 patrocinadores ao longo da temporada 2010 de F1, até o momento. Isso significa exatamente a metade dos patrocinadores da Renault.

    Este cenário mostra que uma equipe deve pensar em diversos tópicos ao tomar suas decisões no inicio de cada temporada. A partir da fabricação de um carro competitivo, pilotos com maior apelo para o marketing como Robert Kubica, ajudaram a equipe francesa a arrecadar mais investimentos para se desenvolverem ao longo da temporada e já começar a preparação para próxima.

    Esta também é uma demonstração de que as portas para entrada na F1 atual não são tão fáceis como parecem já que não basta você ter talento mas também precisar se encaixar nos planos de imagem da equipe. Isso sem contar já ter um bom patrocinador para te apoiar, pois não existe equipe que não precise de mais dinheiro.

    Créditos de imagens: F1 GP Update.

    +

    quinta-feira, 14 de outubro de 2010

    Trailer do Filme "SENNA"


    Estréia do filme prevista para 12 de Novembro de 2010 ( Brasil )
    Direção: Asif Kapadia
    Roteiro: Manish Pandey
    Produção: James Gay-Rees, Tim Bevan e Eric Fellner


    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    Teoria da Evolução e Involução

    A Evolução e o Retrocesso


    Assim como na evolução humana, os pilotos também evoluiram tecnicamente com o passar dos anos, mas houve uma involução perceptivel na personalidade do esportista.

    Estamos chegando a mais uma decisão de Mundial de F1, e verificamos mais uma vez o renascimento do bravíssimo espanhol Fernando Alonso, que surpreendentemente entrou na luta pelo tricampeonato mundial. O espanhol, pioneiro de títulos e vitórias na categoria pelo seu país, vai tentar entrar de uma vez para a história da F1, mas analisando seus ultimos acontecimentos tanto esportivos quanto morais, é dificil engolir o fato de Alonso entrar para a história como um dos grandes, mas por que?
    Alonso como piloto é espetacular. Arrojado, rápido e cerebral quando precisa ser, Fernando é de uma estirpe de pilotos cujo a evolução vem se mostrando permanente desde os anos 70. Mas seu caráter moral dentro das pistas e em algumas ações fora dela, prova que com o passar dos anos, houve um retrocesso brutal nesse aspecto em comparação com os anos 70.

    Moralidade e esportividade, cada vez mais distante um do outro

    De acordo com o estilo de pilotagem, o primeiro piloto desta "dinastia" foi Ronnie Peterson. O sueco falava pouco mas acelerava muito e tinha uma extrema habilidade para controlar seus carros. Suas manobras controladas nas quatro rodas conquistou fãs mesmo sem ter sido campeão mundial. Extremamente calmo, era de personalidade tranquila e não tinha apreço por confusões. Oportunidades não lhe faltaram tendo Colin Chapman como chefe. Morreu em 1978 depois de ter aceitado condições super adversas para correr na equipe Lotus de Colin.

     Peterson conquistou fãs na década de 70 graças ao seu arrojo.

    De personalidade tranquila e apaziguadora, faltou-lhe um pouco mais de bravura.

    Apos o falecimento do sueco, o canadense Gilles Villeneuve apareceu com um estilo semelhante, porem com mais agressividade. O canadense era arrojo puro e não desistia fácil de uma batalha pela vitória. Sua habilidade no controle de seus carros era única e, em sua época, era considerado o mais arrojado de todos. Gilles foi o grande ídolo da Ferrari e conseguiu um vice-campeonato em 1979. Aceitou as ordens do chefão Enzo Ferrari e não atrapalhou os planos da equipe em privilegiar Jody Scheckter tamanha sua fidelidade a Scuderia.

    Gilles, sem sombra de dúvidas, era a evolução esperada de Ronnie Peterson. Aliava o atrevimento e o carisma que faltavam no sueco com o arrojo e a habilidade. Faltou-lhe um pouco mais de esperteza e concentração para vôos maiores. Seu caráter era amplamente elogiado no circo da F1 e seu então chefe, Enzo Ferrari, cansou de enaltecer sua personalidade exemplar. Morreu em 1982 nos treinos em  Zolder, na Bélgica.

    O Arrojo de Gilles marcou uma Era na F1

    Farto em arrojo e coragem, faltou-lhe malícia para ser campeão.

    A Fórmula 1 esperou por apenas dois anos para ver a evolução de Gilles. Em 1984 estreava Ayrton Senna da Silva. O Brasileiro deixou suas credenciais no GP de Mônaco com um desempenho debaixo da chuva tipica das melhores corridas do canadense. Ultrapassou, raspou o pneu no muro várias vezes, controlou com habilidade o carro em condições adversas e quase venceu a corrida. Sua vida na Fórmula 1 foi marcada pela sua extrema coragem, determinação, arrojo puro e controle mental, algo que faltou nos dois pilotos antecessores. Senna aliou toda sua habilidade com o poder de concentração aliada a condição física para conseguir seus três títulos mundiais em lutas ferozes contra os seus rivais.

    Senna tinha uma personalidade díficil. No Brasil era amado pela maioria e criticado pela minoria. Alguns o acusavam de marqueteiro, e outros o idolotravam por sua postura patriótica e exemplar. Ayrton morreu no auge da carreira, o que canonizou sua imagem. Mas Senna, diferentemente de Ronnie e Gilles, possuia a malícia necessária para lutar e abusou de manobras arriscadas, e ás vezes, sujas se analisarmos o "modus operandis" da F1 atual.

    Ayrton Senna foi a evolução natural de Ronnie e Gilles. Um diamante bruto que foi lapidado.

    Arrojo e coragem aliado a malicia e uma pitada de desportividade, a receita ideal para os títulos.

    Porque - desportividade - ? Não precisamos esmiuçar sua carreira para ver que Ayrton Senna também teve seus dias de imoralidade. Suas disputas por títulos mundiais de 1989 e 1990, a fechada descarada em Alain Prost durante o GP de Portugal de 1988 e outras manobras não nos deixou dúvidas que Ayrton foi uma evolução como piloto dentro das pistas e como personalidade esportiva e moral, foi o ápice da aceitação. Para alguns, foi o ínicio do mau exemplo.

    Dias atrás estavámos massacrando o alemão por sua fechada no Rubens, o que dizer desta?

    Mas Senna surpreendia com atitudes morais como esta.

    Alguns o condenaram por manobras arriscadas demais e outros o glorificaram por sua bravura e tenacidade. Ayrton morreu em 1994 durante o GP de San Marino quando liderava o seu sucessor na dinastia - Michael Schumacher.

    E foi exatamente o homem que assistiu a morte do tricampeão de camarote que trabalhou para se tornar a evolução natural desta estirpe de pilotos na F1. O Alemão Michael Schumacher entrou na F1 de maneira polêmica. Bancado pela Mercedes-benz, o alemão conseguiu um carro da Jordan para estrear na categoria e logo após sua boa estréia, conseguiu uma vaga na Benetton no lugar do brasileiro Roberto Pupo Moreno.

    Príncipe e o Rei ? Ayrton tinha seu sucessor.

    Após a morte de Senna, o alemão emplacou vitórias e mais vitórias. Seu título em 1994 foi controverso após uma polêmica batida contra o seu rival - Damon Hill. Nesta atitude percebemos que para conseguir seus objetivos, o alemão era capaz de tudo. Tivemos um péssimo exemplo de esportividade e moralidade.
    O Bicampeonato foi incontestavel. Humilhou seus rivais e conseguiu vitórias épicas como no GP da Europa e no GP alemão. 

    Mas sua imagem, mais uma vez, foi arranhada. Respeitado como o melhor de piloto do mundo até então, Schumacher resolveu jogar seu carro novamente contra um rival na disputa por um título mundial. Desta vez, a vítima foi Jacques Villeneuve em 1997. Desta vez, o tiro saiu pela culatra, e além de perder os pontos, o vice campeonato, teve sua reputação colocada em xeque.

    Assustadoramente rápido, arrojado e eficaz, Schumacher herdou de Senna o "status" de Rei da F1.

    Em questão de moralidade e esportividade, Schumacher retrocedeu a dinastia dos bravos pilotos.

    Sua velocidade, determinação, coragem e arrojo sempre saltaram aos olhos. Para Schumacher, pilotar no limite por uma grande quantidade de voltas parecia tão simples quanto chutar uma bola de futebol. Schumacher elevou o nível dos pilotos a uma estratosfera que parecia ser dificil de ser atingida. Seus títulos de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 foram a prova cabal de sua eficiência. Aliando todas as habilidades já citadas, ao um rígido programa de preparo físico e uma eficiente leitura de corrida, Michael Schumacher foi a evolução do legado deixado por Ayrton Senna. Em questão de moralidade, Schumacher deu um show de retrocesso. Além das polêmicas disputas contra Damon Hill em 1994 e Jacques Villeneuve em 1997, não podemos esquecer de seus pegas com David Coulthard na Argentina em 1998, no mesmo ano, uma covarde fechada em Heinz Harald Frentzen na saída dos boxes no GP do Canadá, sem contar o vergonhoso episódio da marmelada austríaca em 2002, quando teve uma vitória dada de presente por seu companheiro Rubens Barrichello. 

     Schumacher x Frentzen - Canadá 1998

     
    Schumacher x Villeneuve - Jerez 1997

    Michael Schumacher, um piloto que dispensa comentários mas no que tende a personalidade, caráter esportivo, um tenebroso retrocesso. Eis que chegamos no espanhol, Fernando Alonso foi o piloto que quebrou a série de títulos do alemão no novo século. Combativo, eficiente, arrojado, rápido e determinado, o espanhol derrotou Schumacher em 2005 e 2006. Como piloto, é muito dificil dizer que tivemos uma evolução em comparação ao alemão, mas sem dúvidas, Alonso é o unico piloto da nova safra que possui todas as habilidades encontradas no alemão mas moralmente, tivemos mais um retrocesso nesta teoria.

      Schumacher encontrou em Alonso, um garoto jovem e veloz, a capacidade de vencê-lo.

      Na Evolução dos pilotos, Alonso tem o arrojo, bravura, determinação, coragem, controle emocional e físico além da malícia.

    Após o bicampeonato, Fernando Alonso agradeceu a pouco mais de três pessoas e retificou que ninguém mais merecia seus agradecimentos. Em 2007, envolveu-se em grave polêmica com sua própria equipe - McLaren. Após disputa interna contra Lewis Hamilton, Alonso queria o "status" de número 1 na equipe, algo que Ron não o fez. O auge da confusão foi a sua delação premiada sobre a polêmica da espionagem entre McLaren e Ferrari.

    Alonso voltou para a Renault em 2008 e envolveu-se em mais uma grande polêmica. O espanhol beneficiou-se do acidente proposital do seu companheiro de equipe - Nelson Angelo Piquet, e ganhou o GP de Cingapura. O caso foi descoberto em 2009, resultando na expulsão de Flávio Briatore da categoria, a saída de Nelson A. Piquet da F1 e a ruptura do contrato de patrocínio entre o banco holandês ING e a equipe. Inacreditavelmente, Alonso saiu ileso desse estrago com um argumento conhecido por nós brasileiros "eu não sabia de nada".

    Falta pouco para o espanhol entrar de vez na história da F1, tanto para o bem quanto para o mal.

    Fernando Alonso agora é piloto Ferrari. Assim como seu antecessor era. Alonso é bicampeão do mundo e luta pelo tri na Ferrari, exatamente igual a Michael Schumacher em 1996/1997/1998/1999. E seu estilo arrojado continua o mesmo, senão melhor, pois seus ultimos desempenhos comprovaram que, quando Alonso está com um carro acertado e equipe focada, torna-se um adversário duríssimo de ser batido. Mas as polêmicas o perseguem. O que dizer do GP da Alemanha de 2010? quando apos suas reclamações de que Felipe Massa estava lento e que isso era uma vergonha, conseguiu vencer graças as ordens de equipe?

    Analisando toda esta "dinastia" de pilotos, chegamos a conclusão de que, os pilotos tem tido uma evolução técnica década após década, mas moralmente, os pilotos tem tido um péssimo retrocesso. O que esperar de Sebastian Vettel ou Lewis Hamilton? Possíveis herdeiros do trono... é esperar e rezar...

      Vettel já deu demonstrações de que faz parte da dinastia, tanto técnicamente quanto moralmente.

     Hamilton tem arrojo, coragem e determinação, e moralmente também já aprontou das suas. Credenciais?

    Por Cláudio Souza
    imagens: www.google.com.br/images

    quarta-feira, 22 de setembro de 2010

    Jogo Virtual de F1

    Grand Prix Racing Online
    www.gpro.se


    Um jogo gratuito e virtual de F1 aonde você gerencia sua equipe, controla as finanças, monta estratégias sempre com o objetivo único: vencer

    Assim como na Fórmula 1 ou qualquer esporte à motor, você tem que trabalhar muito para ter sucesso no gerenciamento do jogo. No GPRO existem muitas coisas que você tem que gerenciar e cuidar, como contratação de seus pilotos e diretores técnicos para sua equipe, acertar o carro para treinos e corridas, gerenciar o "staff" e as facilidades, negociar contratos com patrocinadores e muito mais.

    São 17 corridas por temporada, com duas corridas por semana, e você pode gastar poucas horas da semana gerenciando sua equipe. Mas com muitas coisas a fazer, quão mais esforço você tiver, quão mais você treinar seu piloto ou acertar bem o seu chassi pode ser a grande diferença entre uma promoção de nível ou rebaixamento. Isso mesmo, neste jogo existe o pesadelo chamado "rebaixamento".

    Você pode ver suas corridas ao vivo e aproveitar para bater papo com outros jogadores no seu grupo e de outras divisões, veja você mesmo como seu piloto se sai nas corridas, e decida a melhor estratégia de corrida de acordo com as estatísticas do seu piloto e das condições de tempo. Você pode criar times com seus amigos ou jogadores pelo mundo afora que compete em campeonatos de "construtores". E isso tudo pode ser feito por um simples navegador de internet da sua casa ou do seu trabalho a qualquer hora! Não precisa fazer download de absolutamente nada.

      Acompanhe o desempenho de seu piloto nas corridas

    As finanças tem papel fundamental aliada a pura matemática

    GPRO é um jogo em desenvolvimento contínuo, e para isso os desenvolvedores são abertos para opiniões dos jogadores. Isso pode ser feito pela extensa lista de foruns, ou pelo sistema interno de conversas dos administradores do jogo. Sempre há grandes pessoas na internet interessadas em ajudar e compartilhar idéias sobre muitas coisas ligadas ao automobilismo, isso é um real forúm de Fórmula 1.

    Se você é um grande fã de F1 e esporte a motor, quer fazer parte de uma grande comunidade de amigos, aproveite os debates sobre as corridas de F1 com pessoas conectadas ao redor do Mundo.
    Como é o Jogo?

    Piloto:
    Quando você inicia o jogo, você precisa contratar um piloto e o próprio jogo irá escolher um piloto para você. Claro, nem tudo que vem de graça, é bom, então provavelmente seu piloto não será um "expert". Você terá que treina-lo e desenvolver suas habilidades.

     O piloto é uma parte importante na engrenagem...

    Finanças: 
    Sempre quando você inicia o jogo, é disponibilizado para você um patrocínio com verba de $ 1.000.000,00 por corrida. Só que você tem que ficar atento pois o contrato de patrocinio não tem duração para a temporada toda. Então é muito bom, ao começar a sua temporada, já iniciar negociações com um patrocinador. Você terá que escolher ele em uma extensa lista, você terá que levar em consideração várias situações, como um autêntico dono de equipe.

    Calendário e Corridas:
    A temporada está para começar, 17 corridas lhe esperam. São duas corridas por semana, sempre as 15h ( horário de Brasília ) das terças e sextas feiras. Para quem gosta do jogo, esses dias são de extrema tensão para saber o resultado de toda a sua estratégia montada.

      Duas vezes por semana, a tensão aumenta...

    Acerto de chassi e estratégia:
    Chega a parte mais legal e matemática do jogo. Neste momento você começa a sentir na pele o que Ross Brawn, Frank Williams e outros diretores sentem quando precisam montar um plano de ação. Você tem que levar sempre em conta as condições de pista, se é uma pista de alta, média ou baixa velocidade, se consome muitos os pneus, se o consumo de gasolina é alto ou baixo e muito mais informações. A Matemática se torna a sua grande aliada, e qualquer erro nas contas, pode prejudicar todo um plano montado e o seu resultado no final da temporada pode ser prejudicado.

      As informações são muito bem detalhadas neste belíssimo simulador

    Treinos, Treinos Oficiais e Corrida:
    Verificando as informações da pista, você terá que começar a colocar o piloto na pista. Você tem direito a 8 voltas de treinos não-oficiais. Nesta hora você vai acertar o chassi, você tem opção de 0 a 999 para configurar seu carro. Você configura o nível de asa dianteira, asa traseira, motor, freios, relação de marchas, suspensões e tipo de pneus. 
    Você irá configurar o set-up e o seu piloto lhe passará um "feedback" do carro. Se o carro estiver do jeito que o piloto gosta, ele irá te responder "O carro está bom", se o carro não estiver do jeito que o piloto goste, ele irá reclamar, e você terá que dar atenção as reclamações e acertar o carro da maneira que ele quiser. Chegando a um consenso, o piloto fará a volta rápida e você, como diretor, achará a configuração ideal do carro.
    Pronto, agora você terá duas voltas de classificação. A Primeira classificação você fará exatamente com a configuração que você achou. A segunda classificação, você terá que fazer já com a quantidade certa de combustível que seu piloto largará na corrida. Nesta hora entra a estratégia e a matemática pura.
    Você terá que analisar consumo, quantas paradas nos boxes seu piloto irá fazer, em qual volta ele irá parar, terá que analisar consumo de pneus, temperatura da pista, se vai chover ou não, e com tudo isso, você montará a sua estratégia de corrida.
    Feita a volta, a soma dos dois treinos lhe dará o resultado final da qualificação.
    Montada a estratégia de corrida, você tem os retoques finais como quantidade de combustivel para cada "perna", se você quer que seu piloto seja mais agressivo ou cauteloso na largada e com quantas voltas você quer que ele fique na pista se caso a chuva chegar e o mesmo se a chuva acabar.

     As informações de pista são de extrema importância.

     
    Uma pequena amostra da importância de cada volta feita nos treinos...rs

    Objetivos: 
    Claro, o objetivo do jogo de qualquer gerenciador ou piloto de F1 é vencer. Mas, diferentemente da F1, neste jogo você começar como "rookie", e existem vários níveis como "amateur", "pro" e "elite".
    E para você subir de níveis, você terá que analisar financças, pilotos, situações que você irá se surpreender tamanha a realidade do jogo.
    O atual campeão do jogo é um turco chamado Toygun Senler. O Brasil já teve seu campeão - o maranhense Leandro Sereno, alias, duas vezes campeão mundial.

    Bom, o nosso blog resumiu bastante como funciona o jogo, claro, o simulador proporciona muito mais situações que se colocassémos aqui, o post ficaria imenso.
    Apenas queremos apresentar este belíssimo jogo virtual de F1, que alia além da matemática apurada, o faro pela estratégia e administração. E gostaria de convida-los a ingressar nesta grande comunidade! www.gpro.se

      

    quarta-feira, 15 de setembro de 2010

    O Campeão do Arrojo

    Gilles Villeneuve
    " Acelerar Sempre, cada vez mais e mais forte. Prudência e não correr riscos é algo que não faz parte da minha profissão ". Gilles Villeneuve

    Joseph Gilles Henri Villeneuve

    Quem procurar seu nome nas estatísticas da F1 verá que ele venceu apenas 6 GP's e nunca foi campeão mundial. Mesmo assim, e passados 28 anos de sua morte, o canadense Gilles Villeneuve continua sendo um dos maiores ídolos da história da F1. Pode parecer uma tremenda incoerência para aqueles que levam em conta apenas os números. Mas quem o viu pilotando, ao vivo ou pela televisão, tem motivos mais do que suficientes para lembrar com saudade daquele capacete vermelho e azul marinho a bordo de uma Ferrari.

    O que fez Villeneuve para encantar tanta gente durante os cinco anos em que ele disputou a F1? Sua técnica era quase nenhuma: consistia simplesmente em acelerar, fosse qual fosse a circunstância. A Coragem e o talento natural, em compensação, eram enormes. O importante era acelerar. "Acelerar sempre, cada vez mais e mais forte. Prudência e não correr riscos é algo que não faz parte da minha profissão", explicava, sempre que alguém lhe perguntava sobre seu estilo de guiar. Entre um segundo lugar garantido e tentar o impossível para vencer, Villeneuve escolhia a segunda hipótese. Daí a enorme quantidade de acidentes espetaculares e motores estourados que Villeneuve colecionou ao longo de seus cinco anos de F1, entre 1977 e 1982.

    Gilles e seu clássico arrojo.

    Daí, também sua enorme popularidade: seu arrojo e coragem também proporcionaram lances dignos de um gênio. Quem não se lembra do duelo feroz que Villeneuve  travou com René Arnoux pelo 2o lugar no GP da França de 1979, em Dijon? Durante as ultimas três voltas, os dois andaram lado a lado, tocaram rodas e levantavam nuvens de fumaça branca nas disputas de freada. Villeneuve ganhou o duelo, apenas 0s3 à frente de Arnoux. E a sensacional ultrapassagem na curva Saint Devote, sobre o mesmo Arnoux, no GP de Mônaco do ano seguinte? Ou sua última vitória, no GP da Espanha de 1981, resistindo ao assédio de Jacques Laffite, John Watson, Carlos Reutemann e Elio de Angelis nas últimas voltas?

    Batalha Épica - Gilles vs. Arnoux - França 1979

    Façanha em Mônaco contra o mesmo rival - René Arnoux

    Início Curioso
    Como Villeneuve chegou à F1 é algo extremamente curioso. Até estrear pela McLaren no GP da Inglaterra em 1977 (único GP que ele não disputou com uma Ferrari), Villeneuve só havia ocorrido uma vez na Europa - no ano anterior, ele disputou uma prova do Europeu de F2 em Pau, na França, onde seu carro quebrou. Era um completo desconhecido quando surgiu em Silverstone ao volante do terceiro McLaren, que levava o número 40. 

    Gilles na McLaren Ford nº 40 - Estréia inusitada na F1

    Naquele mesmo ano de 1977, o então campeão mundial James Hunt foi convidado para disputar uma prova de Fórmula Atlantic no Canadá - era exatamente o campeonato que Villeneuve continuava disputando, depois de ser campeão vencendo 9 das 10 provas de 1976. Hunt ficou tão impressionado com a condução de Villeneuve que comentou com o então dono da McLaren, Teddy Meyer. Este convidou Villeneuve para correr na Inglaterra, e o canadense não desperdiçou a chance: classificou-se em 9º no grid, andou um bom tempo em 7º e só terminou em 11º porque o motor superaqueceu. Mesmo assim, foi uma surpresa quando, algumas corridas depois, Villeneuve surgia na Ferrari substituindo Niki Lauda.

    Villeneuve era um piloto muito especial. Morou durante anos num motor-home, junto com a mulher Johanne e os filhos Jacques e Melanie. Seu estilo bravíssimo e a fidelidade à Ferrari (assinava seus contratos quase sem ler, atitude que certamente fez com que ele deixasse de ganhar alguns milhares de dólares a mais por ano) eram tudo o que a torcida italiana mais apreciava. E havia o caráter, amplamente elogiado por Enzo Ferrari em seu livro "Piloti, che gente...". Jody Scheckter, companheiro de Villeneuve na Ferrari, liderava o campeonato em 1979 e tinha chances de ser campeão no GP da Itália. Na semana anterior à corrida, Enzo Ferrari chamou Scheckter e Villeneuve para uma conversa: "Este título é do Jody. Você ainda tem uma carreira longa pela frente e, a partir do ano que vem, vamos trabalhar para você ser campeão". O que hoje pareceria absurdo aconteceu: Villeneuve concordou e, na corrida, não incomodou Scheckter, que acabou mesmo conquistando o campeonato.

    Antes de falecer,  Enzo Ferrari confidenciou que Gilles foi o seu piloto predileto.

    A Familia Villeneuve: Johanne e Gilles com Melanie e Jacques.

    Em 1980, os carros da Ferrari foram muito pouco competitivos e Villeneuve não teve qualquer chance de pelo menos vencer um GP. A temporada seguinte foi dispendida no desenvolvimento do motor Ferrari turbo, mas ainda teve um saldo positivo com as vitórias de Gilles em Mônaco e na Espanha. E em 1982... A Ferrari tinha o melhor carro e Villeneuve, tudo para ser campeão. Mas a história terminou de maneira trágica.

    No GP de San Marino, Villeneuve liderava, com Didier Pironi (que entrara na Ferrari no lugar de Scheckter em 1981) em segundo. Do box, veio uma placa para ambos manterem suas posições, mas Pironi não a respeitou e venceu a corrida na última volta. Irritadíssimo com a traição do companheiro, Villeneuve cortou relações com o francês e, apesar de Enzo Ferrari ter ficado publicamente ao lado do canadense, o mesmo começou a conversar com a Williams para a temporada seguinte.

    Ímola 1982 - A Traição

    Ímola 1982 - A Decepção de Gilles no pódio.

    8 de maio de 1982, último treino para definir o grid de largada para o GP da Bélgica, em Zolder. Faltando oito minutos para o final, Gilles tem um tempo fracionalmente mais lento que o de Pironi e coloca seu último jogo de pneus. Vai tentar uma "volta voadora" para melhorar sua posição no grid (estava na quinta fila) e, de quebra, largar à frente do companheiro - um passo importantíssimo na guerra interna da equipe. Dá a primeira volta aquecendo os pneus e, na segunda, acelera forte. Na metade da volta, Gilles vê a sua frente o March-Judd de Jochen Mass, que vinha lentamente. Villeneuve tenta passar Mass pela direita, mas as rodas dos dois carros se tocam e a Ferrari levanta voô. Segue-se uma uma impressionante sucessão de capotagens, durante as quais Villeneuve é atirado para o outro lado da pista, ainda atado ao banco. É levado para o hospital de Louvain, na Bélgica, mas a coluna cervical está partida em três pedaços e há sérias lesões na cabeça. Villeneuve chega ao hospital clinicamente morto. Horas depois, seu coração parou de bater.

    Acidente Fatal de Gilles Villeneuve

    O destino acrescentaria um epílogo à história de Gilles. Pironi passou a ser o maior favorito à conquista do título de 1982 e liderava o campeonato até Hockenheim, no GP da Alemanha. No último treino, sob chuva e já com a pole garantida, Pironi não viu o Renault de Alain Prost à frente de uma nuvem de água e levantou voô após um toque de rodas. Teve fraturas nas duas pernas e perdeu um título que parecia certo. Nunca mais disputou um GP de F1 e morreu em agosto de 1987, em uma prova de lanchas offshore. Semanas depois, a mulher de Pironi deu à luz um par de gêmeos. Seus nomes: Gilles e Didier.


    Gilles Villeneuve em números

    18/01/1950 - 08/05/1982
    6 vitórias
    2 poles
    7 melhores voltas
    1971/1972/1973 campeão de corridas de trenó na neve
    1976 campeão de Formula Atlantic
    1979 vice-campeão mundial de Fórmula 1

    Texto Extraído da Revista Racing
    nº 6
    por Luiz Alberto Pandini