sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Carro Ventilador



Quando o carro ventilador ameaçou mudar a cara da categoria, a choradeira ganhou da revolução.

Durante cinco anos, em pleno mês de Junho, máquinas e pilotos iam para um pequeno lugar no centro da Suécia, na região de Gisvaled, para correr no Autodrómo da Escandinávia, mais conhecido por Anderstop. Quem já viu o autódromo, sabe que o circuito aproveita a pista do aeródromo local para fazer dai a sua grande reta. Uma curiosidade que já não se vê em muitas pistas...

Em 1978, a popularidade da Fórmua 1 por esses lados estava em alta. Ronnie Peterson, o grande ídolo, estava na Lotus, e eram eles que davam as cartas no pelotão. O Lotus 79 tinha estreado na Espanha, e no Grande Prêmio anterior, no circuito espanhol de Jarama, o americano Mario Andretti e Peterson tinham feito dobradinha. Aparentemente, ninguém os podia parar, ninguém?



Como sabem, o grande trunfo do Lotus 79 era a exploração do efeito-solo. O carro era tão eficaz ao usar o "downforce" provocado pelas saias móveis, nas pontas laterais do carro, que Andretti afirmou certa vez que: " Este Lotus 79 parece que está grudado no asfalto, tal é a sua aderência... " Mas a concorrência tentava encontrar carros que pudessem contrariar esse domínio Lotus. Um deles era Gordon Murray, que procurava melhorar o Brabham BT46, equipado com motor Alfa Romeo, que tinha sido mal nascido. Murray tinha dificuldades em encaixar esse motor "monstro" num carro-asa convencional, logo, partiu em busca de soluções. E logo apareceu a mais radical de todas: um ventilador.

O Brabham BT46, ou "carro ventilador" era basicamente um carro com uma enorme ventoinha atrás, que tinha uma dupla função: servia de radiador e permitia fazer o mesmo efeito-solo que fazia a Lotus. Um verdadeiro dois-em-um!



Quando os carros chegaram, para o GP da Suécia, no dia 15 de Junho, dois dias antes da corrida, algumas equipes, como a Tyrrell e a Williams, protestaram, alegando que serviria como mecanismo aerodinâmico flexível, que era ( e é ) proibido pelos regulamentos da FIA. Mas Bernie Ecclestone ( então chefe da Brabham ) afirmou que a ventoinha servia de radiador ( o que era verdade ), logo, os comissários autorizaram a sua participação.

Logo nos treinos se notou a superioridade dos BT46B. A coisa era tão evidente, que Ecclestone ordenou à sua equipe que fizessem os treinos de tanque cheio, para que não se notasse tanto a diferença. Mesmo assim, John Watson e Niki Lauda foram segundo e terceiro no grid, não muito longe do pole-position, Mario Andretti.

Na corrida, Lauda e Andretti lutaram pela liderança, enquanto que John Watson desistia por despiste, na volta 19. Na volta 46, Mario Andretti teve que abandonar com um motor quebrado, deixando Lauda na liderança. A superioridade dos carros era tal que, quando um concorrente atrasado largou óleo na pista, numa curva, o Brabham simplesmente passava por cima, pois a aderência que o ventilador criava era suficiente para que o carro ficasse agarrado nessa zona, enquanto que os outros tinham que desacelerar.

No final da corrida, Niki Lauda ganhava com 34,6 segundos na frente. O seguiram no pódio, Riccardo Patrese com a Arrows ( primeiro pódio de sua longeva carreira ), e o piloto da casa, Ronnie Peterson. Um magro consolo tanto para a Lotus, quanto para os fãs...

Apesar da FIA dizer que o carro era legal, Lotus e Tyrrell protestaram acerca da legalidade do carro. No conselho, em Paris, Colin Chapman argumentou que "se tal sistema fosse usado no futuro, seria possível fazer todo um circuito como Silverstone a fundo, o que seria demasiado perigoso." Perante tal "ameaça à segurança", a FIA decretou que o Brabham BT46B seria banido, mas não lhe retiravam a sua vitória na Suécia.




Fonte : http://forum.outerspace.com.br/showthrend.php?t=89839

Nenhum comentário: